quinta-feira, 17 de novembro de 2016

                              A MORAL EM SÃO THOMAS DE AQUINO

 

                São Thomas de Aquino (1225 – 1274) foi o maior pensador medieval latinófono. Sua obra mais conhecida é a famosa “Suma Teológica”, que possui três edições. Contudo o tema que trataremos aqui está além dessa grande obra conhecida.  Vamos aprofundar essa questão bem como a problemática da Ética, segundo o autor. É importante observar que o pensamento Tomista possui varias influencia como a Biblia; obras de Santo Agostinho e a Ética de Aristóteles. Podem-se compreender tais como as bases do pensamento e da sua filosofia nas obras que aprofundaremos aqui.
            A questão moral começa a ser vista numa obra inacabada, cujo nome é in “libros politicorum aristotelis”,na qual  expende acerca da politica em aristóteles (ética a nicomaco), não contradizendo-o mas buscando explicar a obra problematizando essa questão. Na obra  encontra-se, por exemplo,  como o pode proceder um rei ou um príncipe em determinadas situações, e assim por diante. Numa outra obra “de regum”, é interessante observar que  aquino, um padre no séc. Xiii com grande fama e internacionalmente conhecido, concordou com a visão aristotélica na qual o homem é classificado como “um animal”: um animal social e politico e que, por essa qualidade, conseguirá no convívio da pólis realizar-se praticando as virtudes cívicas. Essa obra também não fora finalizada. A preocupação do  “como agir”, com relação as “virtudes” é muito presente em sua obra sobre a ética, na suma teológica.  Contudo, aprofundaremos mais sobre esse assunto adiante.
                Mas é na Suma Teológica que a questão moral é mais aprofundada e com impecabilidade trabalhada. A obra é resultado da tradução diretamente dos textos Gregos dos filósofos em contraposição as traduções que estavam chegando, feitas do Siríaco da escola dos Cristãos Sírios.  Na obra, apresenta-se demasiadamente o pensamento de Aristóteles, bem como o do Santo Agostinho; dos Apologistas, de todos os períodos da patrística e da própria Bíblia. Observaremos a influencia Aristotélica na mesma. A Obra possui três edições na qual a terceira não fora concluída.  Na primeira, o aspecto Cristão se dá muito forte e as explicações acerca das propostas de estudo  são expostas  a luz do espirito cristão vigente. É na segunda que está no homem a maior centralidade, isto é, que se concebe o homem não como já pronto das mãos de Deus, mas com capacidade de trilhar seu caminho fazendo escolhas e mudando seu futuro. É desta concepção que se pode aqui falar com maior autonomia com relação ao tema deste artigo.
            Tal como  na “Ética a Nicômaco”, de Aristóteles, retorna-se, na obra em questão, ao conceito de bem que Aristóteles problematiza, na qual  busca do homem pelo mesmo, e visto que esse é  , grosso modo, a felicidade, se torna o fim ultimo do homem. Sendo Deus, segundo Thomás, essa felicidade, o homem dispõe de modos de vida que o aproximam d’Ele; e são esses ‘modos’ a questão trabalhada na segunda parte, pois são a base do conceito de  “virtude”; o “como agir” que iniciamos acima. Esse modo de vida é fruto das escolhas do homem; é ele que escolhe ou não seguir vivendo tais virtudes. Tal como todos os animais da natureza, o homem possui  aquilo que se chama vontade, sendo essa  diferente dos animais, ela submete-se, no homem, á razão. Assim o homem toma atitudes conscientes e livres.  
            A Moral não é apresentada como um compêndio de coisas permitidas ou não, nem como mandamentos religiosos, mas como uma vida virtuosa buscando a graça de Deus; uma “moral das virtudes”
                Aristoteles apresenta a politica como “a busca do bem comum”. O homem é ajudado pela multidão que ele compõe, não somente para que viva, mas para que viva bem. Contudo, também considera o Filosofo que seja “natural” a existência de escravos  na sociedade. Em contraposição á esse pensamento, São Thomás pondera que, como pela encarnação e morte de Jesus Cristo todos foram alcançados pela redenção, não é licito que haja uma sociedade de desiguais (com escravos, por exemplo), mas uma cidade onde todos possuem “os mesmos direitos e valores”.
            Pela redenção de cristo que nos torna iguais, todos possuem um certo “valor inviolável” e deve a dignidade humana ser respeitada. Assim chaga-se a conclusão de que se é contrario á tudo que dissipa a vida, tal como: Ás injurias, crueldades, furtos e atitudes como usar alguém como objeto  de satisfação sexual.

                O pensamento Tomista foi indispensável para o período medieval, como Santo Agostinho, tornou-se argumento de autoridade durante o período. Foi, da mesma forma, as bases do pensamento ético na Europa e nas Américas, bem como no resultado ético dos processos neocoloniais Africanos e nas Missoes Jesuitas modernas. O pensamento dele está, ainda hoje, intrínseco na moral da sociedade e persuade-se falsamente quem pondera estar ultrapassada a sua filosofia.

Nenhum comentário:

Postar um comentário